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Crítica: Resident Evil - Vendetta

  • 7 de jul. de 2017
  • 3 min de leitura

Resident Evil: Vendetta

Alguns tiros em Zumbis, outros no pé

Se podíamos ter certeza de uma coisa é que os Live-Action de Resident Evil fugia da essência do game. Mas, com um ar de superioridade, Resident Evil: Degeneration (2008), um filme em CG da franquia Resident veio e, sem dúvidas, trouxe esperanças aos fãs dos jogos, que também sofria com seus erros. Nove anos depois, estamos aqui com o terceiro filme CG e, se de alguma forma tínhamos dúvidas da superioridade desses longas animados, agora teremos mais.

Nessa animação, Chris Redfield se encontra na constante luta contra as armas biologias, usada por terrorista e, dessa vez, um terrorista por nome de Glenn Arias desenvolveu o Vírus A, capaz de transformar humanos em zumbis controláveis, como fora feito com "Los Illuminados", no quarto game da franquia. No caminho, ele encontra e salva a então doutora Rebecca Chambers, que está criando o antivírus para acabar com uma futura epidemia do vírus de Arias. Percebendo a semelhança com o vírus Las Plagas, os dois vão atrás do perito no assunto: Leon Scott Kennedy. E assim, os três seguem em busca de acabar com a arma biológica e derrotar o vilão.

Observando a base do roteiro, vemos o quão simples e clichê é o filme. Mas há certos triunfos e erros nele. A primeira coisa que deve ser elogiada é a direção de arte, que conta com uma animação belíssima, a melhor entre os três filmes. Os efeitos de iluminação são bons e também conta com ótimas cenas de suspense. O primeiro ato inteiro é suspense total e traz nostalgia em nossos corações: mansão que faz referência ao primeiro game, zumbis lerdos e mutilados, jumpscares e outras coisas dão um tom certo para o filme, que poderia caminhar nessa formula. Mas é aí que tudo desanda.

Com a aparição de Leon, o filme se torna puramente ação. Temos cenas impossíveis acontecendo e motivações fúteis para certas decisões. Além disso, o personagem de Leon se torna, nesse filme, o equivalente a personagem Alice, do Live-Action. Desde cambalhotas improváveis a manobras de moto com direito a explosões ao fundo faz do personagem um ser menos humanizado, transformando-o em um mutante sem personalidade. Mesmo com a tentativa de mostra um lado diferente dele, com direito a um Leon rancoroso, amargurado e desacreditado, isso logo muda para um personagem Badass ao extremo e muito implausível. Além disso, há um momento em que ele atrai dois cães zumbis e, para mata-los, ele destrói uma avenida, explodindo carros que, certamente, tinha inocentes dentro, ignorando-os de forma ridícula, longe de ser a personalidade que foi dada ao policial Kennedy nos games.

Outro grande erro é a falta de profundidade dos personagens. Mesmo com personagens conhecidos, somos jogados a eles sem uma devida apresentação de suas motivações. Mesmo que o militar Chris e a doutora Chambers tenham uma boa química, é meio desgastante ver o clichê " salvar a mocinha" que o filme impõe. Uma ressalva para os soldados DC, Nadia e Damian que, apesar de pouco aparecerem, são interessantes e mais humanos que os protagonistas.

Algo que deve ser lembrado é o vilão Gleen Arias. Resident Evil possui bons vilões, ao menos nos jogos, como Albert Wesker e até mesmo o Nemesis. Em filmes, nunca conseguiram trazer bons vilões, e é assim que essa animação se destaca. Arias é um vilão compreensível. Entendemos bem sua motivação e, de longe, foge do vilão preto no branco de sempre. Ele possui suas razões para fazer o que faz e você vê ele crescer sua maldade e vê o porquê disso. O grande problema é que, novamente, deixaram de desenvolver mais o passado do vilão, deixando uma boa chance de torna-lo em um ser memorável dentro da franquia. Por outro lado, os "subchefes" do filme são esquecíveis, sem razões para estarem lá. Maria Gomez, uma subchefe, é simplesmente uma ponta solta para lidar em um futuro dos filmes, e só.

Quanto a dublagem, ela é boa, mas há certas cenas em que a sincronia falha e podemos notar isso em ambas dublagens, porém não é nada que desmereça o trabalho feito.

Resident Evil: Vendetta tinha muito potencial para ser um marco na franquia, podendo trilhar para caminhos melhores do que o Live-Action. Mas, se eles acertaram e muito no primeiro ato, no segundo e terceiro eles jogam fora tudo que estavam acertando, tornando a animação mais parecida com os filmes de Paul W. S. Anderson, podendo desagradar os fãs. Mesmo com boas animações, o filme caí no clichê e perde a chance de criar um excelente vilão e de entregar um filme incrível, sendo apenas mais um filme de ação frenética com zumbis, dando um tiro no pé ao rumar para a mesmice de sempre.

Nota: 6,5

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